Publicado em vida

Re. Talho

Há dias que nos retiram as forças. 

Dias de sol sem vento, dias bons. 

São dias como todos os outros em que se arruma a vida a um qualquer canto, porque o sol, sim o sol esse não espera. 

Tudo o resto são retalhos que guardo em qualquer gaveta para depois desarrumar. 

Num dessses quaisquer dias de sol, reparo nos retalhos todos espalhados. nem me apercebi que tinha tantos. 

Fui atalhando caminho como quem varre para baixo do tapete. E toma lá. 

É como arredar os móveis para fazer limpezas mais profundas e, ora aqui ora ali encontramos um brinquedo, um brinco uma moeda. 

Pequenas mas, grandes coisas, que fazem toda a diferença no final das contas.  Ficamos sem troco. Só com um brinco para a festa e sem brinquedo para festejar. 

Ter ou não ter consciência do que está debaixo do tapete é o trabalho de casa, que se deve ter em dia. 

Não há grão de areia que nos tire o sono. Mas alguns grãos marcam a pele, feito tatuagem. 

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Publicado em vida

Mar. Sia

De onda em onda presigo a essência. 

De sete em sete estendo a mão, qual pedinte rogo do universo o pão. 

De sete em sete, nem mais nem menos. Sete. 

Vivo na fortuna de SER. Eu. 

Passa, uma brisa, sinto o aroma do meu âmago.  

Sou feliz.  Tem dias. 

Uns mais que noutros. Mas feliz. 

Publicado em vida

Difer.ente

Soubéra eu ser diferente !…..

Seria. Sim, seria. 

já 800 luas correram e eu igual. 

Quisera eu ser diferente?….. 

Sim, quisera. 

 Vejo os teus olhos num mar de verde esperança. 


Olho em frente. 

O sol qual laranja gigante põe-se num imenso mar. 

NO espelho lateral do carro e vejo em contra luz, alinhados e equidistantes os postes que encaminham os cabos elétricos,  eram tantos como a estrada que ficava para trás. Não os contei , mas foi inevitavel o paralelismo com o caminho feito e o vivido. 

Soubera fazer diferente teria feito, sim teria   Mas quem seria eu hoje? Quem seria?

No retrovisor vi a lua a nascer vermelha grande uma imitação do sol no seu reflexo perfeito. 

O dia finda para logo começar a seu tempo. 

Acredito que tudo a seu tempo se compõe. Acredito que tal como a lua e o sol que se espelham dando por fim o dia e iniciando a noite, numa sucessão incessante. 

Assim como qualquer humano segue o seu ritmo. 

Todos temos a nossa missão, iluminamos aqui e ali a vida uns dos outros. 

Mesmo com nuvens o sol e alua permanecem. Não é ilusão estão mantendo a sua órbita celestial. 

Nada é difer. Ente apenas o tempo que o tempo pede é respeitado. 

Publicado em vida

Desti.lar

Demoli. Dor
Foi sem mais nem menos

Que um dia selei a 125 azul

Foi sem mais nem menos

Que me deu para abalar sem destino nenhum

Foi sem graça nem pensando na desgraça

Que eu entrei pelo calor

Sem pendura que a vida já me foi dura

P’ra insistir na companhia

O tempo não me diz nada

Nem o homem da portagem na entrada da auto-estrada

A ponte ficou deserta nem sei mesmo se Lisboa

Não partiu para parte incerta

Viva o espaço que me fica pela frente e não me deixa recuar

Sem paredes, sem ter portas nem janelas

Nem muros para derrubar

Talvez um dia me encontre

Assim talvez me encontre

Curiosamente dou por mim pensando onde isto me vai levar

De uma forma ou outra há-de haver uma hora para a vontade de parar

Só que à frente o bailado do calor vai-me arrastando para o vazio

E com o ar na cara, vou sentindo desafios que nunca ninguém sentiu

Talvez um dia me encontre

Assim talvez me encontre

Entre as dúvidas do que sou e onde quero chegar

Um ponto preto quebra-me a solidão do olhar

Será que existe em mim um passaporte para sonhar

E a fúria de viver é mesmo fúria de acabar

Foi sem mais nem menos

Que um dia selou a 125 azul

Foi sem mais nem menos

Que partiu sem destino nenhum

Foi com esperança sem ligar muita importância àquilo que a vida quer

Foi com força acabar por se encontrar naquilo que ninguém quer

Mas Deus leva os que ama

Só Deus tem os que mais ama